Asas de Flor

Poesia em seu coração

Textos


Talha-mares

Num final de tarde triste, do alto, caíram gotas de maldade enchendo de água ruim os rios, os lagos e os mares.
A Terra "santa", toda terra boa é assim chamada, com sangue nos olhos, em transe, tão sem rumor, tão devagar... pelo Criador foi avistada.
Dois talha-mares, dando voos rasantes sobre a água cortante, alegres, cantantes, capturavam peixinhos.
Manjar mordente. Corrosivo drinque.
A cilada existe. A queda é nada.
Seres e valores vão-se embora...
E no crepúsculo, à noite, não há pares voantes descansando nas praias.
Veja se eu choro, ou trazem os olhos úmidos os companheiros das aves com bico preto brilhante, que ainda ontem tão contentes cortavam a água (desta vez) pela ação humana contaminada.
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 05/02/2018
Alterado em 06/02/2018


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