Asas de Flor

Poesia em seu coração

Textos


Tu eras querubim ungido para proteger

Se afoga o pensamento meu acompanhando a sujeira que cerca um rio.
Ofensa de natureza grave, querer prender o universo num mesquinho interesse próprio.
Ah, homem! Insensível! Desrespeitoso! Louco! Esconde-te. E esconde-te de ti e de mim.
Sou parte da força desse rio. Se preciso for, em defesa da sua liberdade de avolumar-se, alastrar-se, continuar a correr claro e puro, jogo-me na sua correnteza.
Heróis e heroínas de verdade, remaram em suas águas, ergueram bandeiras, entoaram cantos de vitória. A paz se fez. Fez-se a União da Vitória. E fez-se ilustre história a ser honrada, respeitada e defendida.
Uma parte de mim, lutou mansamente por um mundo mais humano e não deu conta de tudo o que precisou ser feito.
Todos os ribeiros vão para o rio. Houve um tempo em que tonta de jejum, esbranquiçada de sabão, roupa molhada colada nos joelhos, com eles eu ia, profundamente verdadeira lavadeira, me defrontando com a loucura de mim mesma, olhando para baixo, falando em sussurros, para timidamente, no meio das águas tristes e pesadas, dizer que eu tinha medo.
Dizer era preciso.
De tanto me sentir ameaçada, de tanto falar tal palavra, perdi-a numa noite escura.
A inquietude, porém, não perdi. Ainda não.
Nestes dias sombrios que a humanidade está atravessando, vou além, sempre sem medo de nada.
Dizer é preciso.
Eu consigo. Alertar. Denunciar. Fazer uma convocação em alta voz (para ser ouvida em meio ao burburinho).
Venha, com teus olhos de água brilhante, ser um dos anjos bons da Natureza, “tu eras querubim ungido para proteger...”.
Iniciaremos uma corajosa jornada de transformação, guiados pelas forças invisíveis da Natureza; transformaremos nossas próprias existências e inclinaremos outros à cooperação.
Derramaremos como chuva o nosso conhecimento, espalharemos como orvalho frases e pensamentos de conscientização: “Quando o ser humano aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante; a grande tragédia da vida é o que morre dentro do homem enquanto ele vive”. (Albert Schweitzer).
Façamo-nos ouvir, alto e bom som. Pois nós dois já sabemos de que santuário saem as águas boas, águas poderosas, águas que curam, águas que purificam...; águas que renovam constantemente a vida.

“No princípio, quando Deus criou os céus e a terra, a terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas.” (Gen1)
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 09/01/2018
Alterado em 09/01/2018


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