Asas de Flor

Poesia em seu coração

Textos


Almas que encantam
 
Dos filmes em preto e branco, lembro dos lábios escuros das estrelas claras, nem muito grossos nem muito finos, arco-do-cupido delicadamente definido; os lábios da linda florista cega, que caminhando à luz das ruas, a flor dos lábios entreabertas, falava língua estranha à flores, abraçadas pelas belíssimas cores, jamais conhecidas por ela, despertando ingênua paixão perfumada no coração inquieto de um curioso homem.
Orientada para a luz interior, mostrando pensamento longínquo e profundo, fazia-me perceber coisas tão extraordinárias, e com tal rapidez, que simplesmente nunca terminarei de admirá-la.
Enternecia-me ser afetada pela ingenuidade e inocência dela, encantos de alma que derreteram o coração de um andarilho pobretão, que usando um fraque preto esgarçado, calças e sapatos desgastados, um chapéu-coco e uma bengala, brilhara para ela como o Sol.
Notavelmente, conseguia o pequeno vagabundo, sem a beleza das palavras, de um jeito travesso, propor amizade, alegria, silêncio, sugerir a jovem e ao mundo experimentar a vida com inteireza.
Rico de energia, fazer por ela mais do que fazia por si mesmo, queria ver alegria no rosto dela. Sem vê-lo ela conseguia sentir sua doçura, a brilhantíssima luz que vinha do coração feliz dele, pois havia traços de virtude em tudo que ele fazia.
Ao perceber o ardor na alma, também ele pôs o olhar no coração, assim conseguiu se fazer grande e gigantesco, até estender os braços, alcançar uma estrela, apreender sua luz, senti-la no seu interior como um fogo que arde e não tem mais jeito de apagar, lindamente se incendiar de amor e incendiar a alma daquela que igual a ele ansiava vida.
Dos filmes em uma cor, eu quero te pedir que não entre no personagem sem antes ler o roteiro inteiro, se entrar, não se sente a esperar que o sol se ponha. Antes e somente eu te peço, que não demore a começar a viagem de volta. Os vales secos lembram os vales da morte.
Dos filmes em três cores - branca, preta e azul, jamais esquecerei da beleza clara e transparente de Uma Nova Luz.
Depois de assisti-lo, um pensamento ficou na minha cabeça como algo lindo, que eu certamente gostaria de ver acontecer à minha frente. Ocorreu certa vez, de um inverno chegar num determinado lugar e não ter pressa para ir embora, e um homem capaz de fazer a história, não somente escrevê-la, de modo fascinante mostrar a parte quente e aconchegante do frio.
Da criação fantástica, guardei como ensinamento uma imagem em que a pele de uma dançante bolha de sabão reluzia em brilho perolado e lustroso, e alegremente brincava de flutuar sobre um manto gelado, quando, de repente, pelo rigor do frio, pareceu assumir uma cor negra contra um fundo negro, tornando-se do tipo explosiva.
Mas não teve ninguém para atacá-la, ao contrário, teve sua cor vista por um olhar perdido e apanhada no ar cuidadosamente fora aquecida dentro da roupa do seu observador, que tendo o cérebro “frio” dos que esquecem, sonhava não estar em lugar nenhum, mas estava.
Que trágico seria para ele, que ainda tinha coração de menino, vê-la macular a água doce do mundo.
Dos filmes em mil cores, vi tudo o que meus olhos desejaram ver debaixo do Sol, uma imagem que expressava um pensamento de Deus: as cenas de meus filhos brincando num jardim natural; "e eles eram ensinados do Senhor; e a paz deles era abundante".
 
 
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 03/01/2018
Alterado em 04/01/2018


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