Asas de Flor

Poesia em seu coração

Textos


 
A árvore da vida
 
_ Vem cá. Sobe. _ Um Alegrinho pediu, com voz de canto inaudível.
_ Obrigada. _ Balbuciei em poesia, que é voz de fazer amigos.
Fitou-me. Fitamo-nos. Olhos nos olhos. Eu o admirei.
A árvore do meio da praça era lourejante e gigantesca, a maior que já vi.
Encorajada pelos “zit’s-zit’s zerítitit’s” e “tzi’s-tzi’s-tzi’s…” elevados de Alegrinho, fui subindo devagar, no ritmo da natureza, clamando: Ó meu anjinho, meu anjinho, vem, vestido de branco linho, cuidar para que eu não caia.
_ Senta-te aqui. Aqui comigo. _ Pediu novamente a amável criatura, batendo delicadamente uma das asas no tronco.
Oh, que linda poesia viva eu fitava!
Ficar num galho alto ali bem perto de um ser alado despertava uma gostosa emoção. Quase tão gostosa quanto o doce do amor, parecida com a sensação de ouvir melodias superiores.
Esperei a tarde toda que uma estrela como o sol viesse brilhar na vastidão infinita do firmamento, mas, exatamente naquele ponto da linha da noite em que o fim e o início coincidem, ouvindo ao longe o som de sinos, percebi que não passava de uma vã espera.
Lentamente me levantei, sem medo de cair, virando a cabeça para todos os lados, olhando tudo com olhos vazios e paulatinamente a compreensão chegou. Aquela cidade não precisava de sol nem de lua.
Ao entender qual era sua lanterna, esperei entender qual era sua luz.
Assim, ali ficamos, Alegrinho, doze meses e mais um mês, eu, alguns momentos da eternidade.
Alimentando-nos de frutos, bebendo gotas do orvalho, curando feridas com folhas e ignorando qualquer sentido dos limites humanos.
Eu aspirava conseguir captar o colorido e a exaltação da luz nos vitrais da representação material da Jerusalém Celeste.
No tempo certo, a real, a perfeita, Nova Jerusalém, iluminada pela glória do Eterno.
 
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 30/11/2017
Alterado em 03/12/2017


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