Asas de Flor

Poesia em seu coração

Textos



Céu estrelado

Ainda vive o meu sonho, e eu irei, por uma escada de pedra ou argila, na mais bela hora da noite, puxada por uma estrela, visitar o autor do primeiro livro.
Há de residir no céu, o que viveu num tempo mais velho que o ano cem.
Se eu fosse uma escultora de histórias, à luz coerente, numa folha de papel fino eu me esculpiria em meditação culposa, derretendo em lágrimas, porque nos verdes e frescos mares de madeiras, carvalhos brancos vêm sendo colhidos aos vinte anos de idade.
Bendito seja o autor da tristeza santa!
Seja ele a claridade que me isolará em cima da implacável semente.
Ah, mas se eu fosse marinheira das palavras, na primeira hora do dia eu partiria para a ilha das árvores incríveis, navegando por dentro de um olhar da cor que não some no fundo do mar, deitada na minha canoa de tábuas costuradas por mãos de anjo, acreditando estar velejando o velhíssimo Louvor de Duas Terras.
Tão longe... estremeceram as testas das suas velas.
Minha canoa desce, sobe, ziguezagueia. Sinal de que minha história não irá findar.
No vasto céu estrelado o autor das histórias que hão de se perpetuar.
Ainda vive o meu sonho, e eu irei, no alvorecer me descobrir lendo o último livro.
Em pergaminho, velino ou papiro  ele 
“separa o que está escondido”.
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 28/11/2017
Alterado em 28/11/2017


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