Asas de Flor

Poesia em seu coração

Textos


Paixões da luz
 
Quando teu rosto era o sol pousado sobre o silêncio primordial do meu cosmo interior, de súbito, minha alma aberta em riso viu-o iluminado em sua brancura, bonito e brilhante, com as feições de um humano vestido de túnica de manga longa dobrada.
Com dedos de ler então, eu estudei sobre as ações e paixões da luz e a óleo com gotas de ouro, numa espécie de placa de madeira de ébano, pintei-o como um ser com senso do sublime: papiro sagrado na mão desenhada.
Enquanto isso, diante da porta ou das janelas das casas manchadas de luz, verdadeiro e justo juiz, com sustentação e força para ficar de pé, focava o olhar no deslizar do pincel sobre a tela dourada.
A céu aberto, era preciso, absolutamente preciso, suscitar, experimentar e sentir múltiplas sensações durante a concepção daquela obra de arte.
Ora, um concerto de violinos ali, pareceria ridículo, de modo que por todo o tempo que trabalhei a tela, meus lábios assobiaram clássicos sacros “para além”, não me culpe a ousadia; e próximo, desejoso de ajudar, como irmão solidário extremamente presente, um vento pequenino - sentia-o tão branco seduzido pelo divino - melhor criador do que eu jamais seria em toda a minha vida, punha-se ele a se pincelar em águas salpicadas de ninfeias, depois correr do lago à tela, sacudindo sobre ela suas asas molhadas.
Orvalhava teu olhar. Porque, sendo cega, e tão cega, brincando na luz eu não via que esquecia de retratá-lo como um ser sublime de olhar iluminado.
 
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 18/11/2017


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