Asas de Flor

Poesia em seu coração

Textos


Vai, pensamento

Nos fundos da casa azul
uma lata foi enterrada.
Justo, puro, humildoso plebeu,
brilhante, não tão feliz,
seguira os impulsos da alma.
Córrego estéril testemunhou 
mãos lavadas.
Ai de mim, ai de você, 
de nós, eternamente,
que no amanhecer sorrimos, 
à tarde novamente.
Em maior perigo, à noite, 
alçamos voos caseiros,
beijamos o amor à frente.
Ação de ungir,
até penetrar
- não com o óleo -
o peito do irmão,
sempre a depender... 
do que o coração sente.
Davi não somos 
nem ao menos Caim somos,
matando a nós e aqueles 
a quem dizemos amar.
O próximo reinado se levanta 
e sai do latim potere.
Meu espanto!
E mais haverá!
Plante, ó rei! 
A céu aberto,
no seu jardim andaluz:
hortelã, endro, cominho.
E mais será!
Com um pouco de tristeza no olhar,
ajoelhe o povo,
porque não levantou a voz primeiro.
Conscientemente golpeie
no peito até desmaiar,
nove vezes,
nove mil luas,
até alcançar,
a graça de aprender
bem escolher
o rei que irá amar.
Ó água santa!
Ó água pura!
Sabedoria!
Jorrai sobre os famintos, 
sedentos, doentes...
Porque o Rei está neles, 
formando um com eles.
O plebeu prisioneiro...
pelo pecado antigo
não seja punido.
Viu-se obrigado,
para os últimos dias,
abrigar num lugar seguro,
o dom da profecia.

 
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 12/11/2017
Alterado em 12/11/2017


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