Asas de Flor

Poesia em seu coração

Textos


De eternidade a eternidade

Oh, meu Deus!
Senhor de perto e de longe.
Senhor dos dias claros.
Senhor das noites escuras.
Senhor do amor incansável!
Pela força da fé vou procurá-lo.
Vou procurá-lo junto aos pobres do mundo,
pois sei que também estás presente
no sublime sacrifício da vida
em dolorido processo de desgaste.
Desgaste que se aproxima do absurdo.
Toma-me pela mão, meu Senhor,
pois se me atormenta o coração.
É um dia de frio cortante e tenho à minha frente
anciãos e crianças ornadas de desesperança.
Vazias das palavras que a dor da fome roubou,
meninos e meninas em tenra idade
brincam de aprender soluçar: Pão!
Apagar-se-ão os sorrisos dos lábios
das sagradas crianças portadoras de Ti?
Tão lindas! Com seus olhinhos perolados,
apagados como lamparinas às quais falta o óleo.
Olhai Pai, como alegram-se as faces,
quando me ouvem em melodia triste
dizer-lhes que antes do anoitecer
com a flor do trigo que fazes crescer nos campos
por Ti serão alimentadas.
“Vosso nome lhes é causa de profunda alegria,
pela vossa justiça elas se glorificam,
porque sois o esplendor de suas forças.”
Deus meu! Deus de todos nós!
Que de eternidade a eternidade,
no coração da humanidade,
ramos d’amor tem plantado,
põe letras d’ouro em meu peito,
para que me sirva delas
para convocar almas ardentes de caridade,
sensíveis às necessidades dos que sofrem.
Os pobres partilham a fome
de pão e de luz.
Os poetas partilham a palavra
de valor raro e inigualável.
Diz-me tu,
que fazes da arte de escrever
um grande hino de amor,
como faço para modular
com traços sublimes,
a dolorida palavra viva
semelhante a um soluço,
num tempo que não faça parte
do presente nem do futuro.
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 02/08/2017
Alterado em 02/08/2017


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