Asas de Flor

Poesia em seu coração

Textos


 Em algum lugar do mundo

Ainda não parecem claras e perfeitas as luzes a brilhar na solidão aberta das estradas.
Depois de rondar em círculos, pelo deserto de uma página em branco, do nada, me vejo em algum lugar do mundo, em torno de mim e guardada por altas sentinelas, pinceladas de cor de canela; possíveis muralhas, capazes de prender a beleza no caminho e cativar o desavisado vento, que chegando despido, se mostra tão frio... esfria meu rosto e estremece meu corpo, quando insinua-se carro a dentro, com o desejo de voltar a si o espelho.
É uma honra ver-me, tenho olhos verdes, ou, vermelhos, e cabelos que alçam voos, como pássaros libertos de uma rede.
Só que eles não são pássaros, não caem em laços, não se deixam aprisionar nem mesmo por um capacete de pensar.
A noite! Ela é tão forte. Só ela os provoca.
Então, eles vão... por ela, só por ela, variando da cor do milho ao negro.
Esse negro que meu olhar captura nas mensagens poéticas das placas de orientação de destino, que não passam de imagens, acúmulo de imagens, metáforas, excessos que me inspiram a compor uma canção que invoca - lembranças - antes delas desaparecerem.
“Por que não?” transformá-las em palavras. Tenho palavras em mim, palavras suficientes e acertadas, que musicadas, transcenderiam os limites das estradas.
Mas neste momento não posso escrevê-las, terei de frear, frear mais forte, bem mais forte, se quiser ter uma chance de parar.
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 17/07/2017
Alterado em 17/07/2017


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