Asas de Flor

Poesia em seu coração

Textos



Brihos dourados

Quase me bastaria nessa vida, como abrigo, uma casa na árvore, mas não numa árvore qualquer, teria que ser numa árvore fantástica, com raízes profundas e extensas, e folhas extremamente alegres, para brilharem douradas desde quando lá por trás do morro, uma réstia de luz avermelhada fizesse prever um novo dia de sol, até o instante em que, em suavidade e delícia, alguém querido sussurrasse aos meus ouvidos: acaba de anoitecer.
Não precisaria ser, necessariamente, a maior, nem a mais bonita do mundo, mas gostaria que fosse bem diferente daquelas árvores estranhas que arrumam uma multidão de motivos malucos para sobreviver.
Que ao vento forte, por conta de uma eventual fragilidade, ela se vergasse e até se deformasse, mas não deixasse de se comportar como uma corajosa Sabina.
Se possível, gostaria que fosse uma árvore sagrada e no tronco oco hospedasse uma capela, e acima dela, meu lindo casulo de madeira, com teto de vidro transparente, para nas noites quentes eu olhar as estrelas, e ainda, que tivesse o chão forrado com cobertores de lã de ovelhas, para me aquecer nos dias de inverno.
Eu a chamaria de Suspiros. Suspiros não tem espinhos. Tem o tronco liso e claro. Mas, para o caso de a árvore do meu abrigo ter que ser espinhenta, que seus espinhos sejam santo remédio, porque ao vê-la entre os brilhos dourados do sol, desejarei abraça-la.
Matilde Diesel Borille
Enviado por Matilde Diesel Borille em 12/07/2017
Alterado em 14/07/2017


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